~ Conversa extra-mundana

Estava lá eu, com minha companheira gelada, sentado nas caldeiras que circulam o balcão. Perdido nos meus pobres pensamentos, nem vi quando ele entrou. O senhor barbado que enxugava um copo foi o primeiro a reagir. Um sorriso tipico e uma troca de acenos, coisa de quem já se conhece de outros carnavais. Passando pelas mesas, recebeu mais cumprimentos. – Opa seu marciano. – Dizia um homem que jogava gamão com outros senhores. Droga, e eu morrendo de vontade de jogar gamão.

Ele se aproximou, lembrava um pouco o jeito do Zeca Pagodinho, algo meio alegre, meio diferente. Pediu uma Bohemia, tipico de extra-terrestres. Após uma breve conversa com o balconista, ele virou para mim. Droga, nunca tinha conversado com um marciano. Suei um pouco e demorei a responder o “olá”, mas percebendo meu receio, ele tratou de puxar a conversa. Se eu não soubesse quem ele era, juraria que era um carioca, daqueles que ficam no samba com os amigos até a madrugada, mesmo que só tivessem baldes e os gatos da vizinhança como alimento.

Começou a falar sobre politica, era petista. Falava sobre a influencia do Lula nas galaxias e até de um suposto acordo para diminuição de taxas sobre o comércio interplanetário que a candidata dos “companheiro”, como ele se referia, estava arquitetando. Mas o assunto logo esfriou, ano de eleição não traz boas conversas sobre politicas com marcianos, eles são intransigentes. Falei de futebol e percebi, estava na frente de um corintiano roxo, daqueles que descrevem com perfeição qualquer time que você perguntar. Desde o campeão da primeira Copa São Paulo de Juniores até o time que foi rebaixado em 2007. O alcool foi subindo e naquele momento nem lembrava que ele não era alguem normal, e sim um marciano. Falamos sobre milhares de coisas, mas ele tinha que ir embora.

– Companheiro, preciso ir embora. Minha esposa está me esperando. – Ri junto com ele e demos um rápido aperto de mão. Pegou as chaves do seu disco voador e foi embora. Duvido que o encontre novamente, nem adianta tentar convencer alguém de que ele existe mesmo. Talvez ele não queira aparecer no Gugu e no Datena, apenas queira tomar uma cerveja, falar bobagens e comer aqueles malditos ovos coloridos que dão uma grande diarréia no dia seguinte. Mas quem pode culpá-lo ou julgá-lo, se no fundo, todos fazem isso mesmo.

 

~ por cafeinalucinogena em Abril 19, 2014.

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